Brasil é Vetado de Fabricar Genérico de Injeção Contra HIV; Preço Ameaça Acesso pelo SUS

O Brasil foi excluído dos acordos de licenciamento para a produção de versões genéricas do lenacapavir, uma nova injeção de prevenção ao HIV, pela Gilead Sciences, detentora da patente. Embora a Anvisa tenha aprovado o registro do medicamento, a decisão da farmacêutica significa que o país enfrentará custos elevados, estimados em dezenas de milhares de dólares anuais por pessoa, que poderiam ser drasticamente reduzidos por uma versão genérica. Essa situação gera preocupações de especialistas e da Unaids sobre a acessibilidade do fármaco pelo SUS, impactando a luta nacional contra o HIV/AIDS, incluindo em regiões como o Amazonas e Manaus.

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Brasil é Vetado de Fabricar Genérico de Injeção Contra HIV; Preço Ameaça Acesso pelo SUS
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O Brasil enfrenta um potencial entrave significativo no acesso a uma nova e promissora ferramenta na luta contra o HIV: o lenacapavir, um medicamento injetável de prevenção. A Gilead Sciences, empresa farmacêutica detentora da patente, optou por não incluir o Brasil em seus acordos de licenciamento para a produção de versões genéricas do fármaco. Embora a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tenha recentemente aprovado o registro da injeção para profilaxia pré-exposição ao vírus, com o objetivo de reduzir o risco de infecção por via sexual, a decisão da Gilead implica que o país não poderá fabricar sua própria versão genérica. Essa exclusão levanta sérias preocupações sobre o preço final do medicamento e sua viabilidade de distribuição pelo Sistema Único de Saúde (SUS), impactando diretamente a capacidade de expansão do acesso a tratamentos inovadores em todo o território nacional, incluindo regiões como o Amazonas e Manaus. As informações foram originalmente divulgadas pelo Jornal de Brasília. A Gilead explicou que seus acordos de licenciamento voluntário para genéricos contemplam 120 países de baixa e média renda, definidos por critérios epidemiológicos e capacidade de financiamento de seus sistemas de saúde, grupo do qual o Brasil não faz parte. Para nações como o Brasil, a estratégia de acesso envolveria outras abordagens, como a definição de um preço máximo pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos). No entanto, o custo do lenacapavir é exorbitante: nos Estados Unidos, o tratamento pode variar de US$ 25,3 mil a US$ 44,8 mil anuais por pessoa. Um estudo da revista Lancet revelou que uma versão genérica poderia custar entre US$ 25 e US$ 47 por ano, uma diferença brutal que motivou críticas. Beatriz Grinsztejn, pesquisadora da FioCruz e presidente da International Aids Society, classificou a exclusão como "um absurdo e uma tristeza", alertando para o impacto na avaliação da viabilidade de distribuição via SUS. A Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids) também criticou publicamente o valor, instando a farmacêutica a reduzir o preço para garantir o fim da Aids globalmente. O lenacapavir representa uma inovação significativa no tratamento e prevenção do HIV. Atuando como um inibidor do capsídeo viral, o medicamento desregula o funcionamento essencial da estrutura que protege o material genético do vírus, impedindo sua replicação de forma eficaz. Diferente dos antirretrovirais tradicionais que agem sobre enzimas, o lenacapavir dificulta o desenvolvimento de resistência viral, um avanço crucial. Além disso, a comodidade de sua aplicação, que se dá a cada seis meses, pode revolucionar a adesão ao tratamento e à profilaxia. Enquanto o Brasil busca integrar tais inovações, o país ainda lida com desafios substanciais no controle do HIV/Aids. O Boletim Epidemiológico de 2025 indicou 39.216 detecções de HIV em 2024, um leve aumento, embora os casos de Aids e a mortalidade tenham registrado quedas. As infecções continuam concentradas em homens de 20 a 29 anos, predominantemente por via sexual, ressaltando a urgência de acesso a todas as ferramentas preventivas e terapêuticas disponíveis. Fonte: https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/saude/brasil-e-vetado-de-fabricar-generico-de-injecao-contra-hiv-preco-ameaca-acesso-pelo-sus/

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