Jornal Nacional expõe esquema de venda ilegal de injeções para emagrecer por farmácias de manipulação e médicos no Brasil

O Jornal Nacional revelou um esquema ilegal onde farmácias de manipulação e laboratórios oferecem a médicos, inclusive com propostas de parceria nos lucros, a venda de injeções para emagrecer com tirzepatida, cujo uso e manipulação em larga escala são proibidos ou restritos pela Anvisa. A prática envolve a prescrição da medicação em nome dos próprios médicos, sem controle de procedência, pureza ou dosagem, gerando riscos graves à saúde dos pacientes, como exemplificado por um caso de internação em UTI. O Conselho Federal de Medicina condena a conduta, e dados da Receita Federal apontam um salto na importação do insumo.

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Jornal Nacional expõe esquema de venda ilegal de injeções para emagrecer por farmácias de manipulação e médicos no Brasil
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Destaque
Uma investigação conduzida pelo Jornal Nacional expôs um alarmante esquema de vendas ilegais de injeções para emagrecer envolvendo farmácias de manipulação, laboratórios e médicos em todo o Brasil. A reportagem, veiculada em 18 de fevereiro de 2026, revelou que empresas estão oferecendo a profissionais da saúde a manipulação e comercialização em larga escala de medicamentos à base de tirzepatida, substância cuja patente pertence à fabricante do Mounjaro. Tal prática contraria as normas da Anvisa, que permite a manipulação apenas em casos muito específicos e sob prescrição individualizada, não para venda em massa. As propostas, inclusive, chegariam a incluir parcerias nos lucros, com comissões de até 30% sobre os produtos vendidos, conforme relatos de endocrinologistas. As mensagens obtidas pelo Jornal Nacional demonstram como as empresas abordam médicos de diversas especialidades, sugerindo que as receitas para grandes quantidades do medicamento sejam emitidas em nome do próprio profissional. Essa conduta levanta sérias preocupações éticas e de saúde pública. O Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio de seu coordenador da Câmara Técnica de Endocrinologia e Metabologia, Bruno Leandro Souza, reiterou que a venda de medicação manipulada em grande quantidade sem regulamentação adequada constitui uma infração ética grave, passível de avaliação pelos conselhos regional e federal de medicina. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia também criticou a inversão do propósito das farmácias de manipulação, que deveriam customizar prescrições e não recrutar médicos para comercializar substâncias de forma massiva. Os riscos à saúde são consideráveis, uma vez que a manipulação e revenda em larga escala, bem como o fracionamento de ampolas entre pacientes, impedem a atestação da procedência, nível de pureza e dosagem do medicamento. Consequentemente, a imprevisibilidade de efeitos colaterais e a dificuldade de tratamento em caso de reações adversas tornam a prática extremamente perigosa. Um caso alarmante relatado na matéria do g1 (https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/02/18/farmacias-de-manipulacao-oferecem-a-medicos-venda-ilegal-de-injecoes-para-emagrecer-propostas-incluem-parceria-nos-lucros.ghtml) destaca essa periculosidade: uma paciente, após a quarta aplicação de um produto manipulado, foi internada às pressas em uma UTI cardiológica devido a arritmia, possivelmente causada por um “coquetel de emagrecimento” diurético presente na fórmula ilegal que eliminou seu potássio. Dados da Receita Federal revelam um salto na importação do insumo após a norma da Anvisa em agosto de 2025, com volume suficiente para 1,5 milhão de doses no último trimestre, evidenciando a escala do problema. Fonte: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/02/18/farmacias-de-manipulacao-oferecem-a-medicos-venda-ilegal-de-injecoes-para-emagrecer-propostas-incluem-parceria-nos-lucros.ghtml

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