Exército Brasileiro Finaliza Acordo para Aquisição de Sistema de Defesa Antiaérea Italiano
O Exército Brasileiro decidiu adquirir um sistema de defesa antiaérea italiano de média altura e médio alcance, conforme uma portaria de dezembro passado. A medida visa modernizar as capacidades defensivas do país, atualmente limitadas a sistemas de baixa altura, e faz parte do projeto Força 40, com conclusão prevista para 2039. O investimento pode chegar a R$ 4 bilhões, e a justificativa para a compra inclui a evolução do cenário estratégico global e regional, com menção à fronteira com a Venezuela como um fator que reforça a necessidade do equipamento. O sistema Emads, do grupo MBDA, será inicialmente centralizado em Jundiaí (SP).
Tucupi

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O Exército Brasileiro formalizou um passo crucial em seu programa de modernização ao definir a aquisição de um avançado sistema de defesa antiaérea de média altura e médio alcance, de fabricação italiana, conforme delineado em uma portaria assinada em 22 de dezembro do ano passado pelo general Francisco Humberto Montenegro Júnior, chefe do Estado-Maior do Exército. A decisão, que representa um marco significativo na capacidade estratégica do país, foi divulgada publicamente em um boletim interno da Força na última sexta-feira (9), sinalizando o empenho em preencher uma lacuna tecnológica que há muito tempo é considerada prioritária para a segurança e soberania nacional. Este acordo de cooperação entre os governos do Brasil e da Itália transcende a mera compra de equipamentos, abrangendo o desenvolvimento conjunto e reforçando laços estratégicos que prometem suporte técnico e operacional duradouro.
A aquisição, que se insere no ambicioso projeto Força 40 de modernização do Exército, prevê a inédita implantação, até 2039, de um sistema de defesa antiaérea capaz de engajar alvos a 15 quilômetros de altura (equivalente a cerca de 50 mil pés) e com um raio de ação que pode se estender de 40 a 60 quilômetros. Atualmente, a capacidade de defesa antiaérea terrestre do Brasil limita-se a sistemas de baixa altura, com alcance de até 3 quilômetros, o que sublinha a urgência e a importância estratégica dessa atualização tecnológica. Embora a portaria não especifique os valores exatos, estima-se que o investimento possa alcançar aproximadamente R$ 4 bilhões, e a centralização inicial da futura defesa antiaérea do Exército no país será no município de Jundiaí, em São Paulo, onde o 12º GAC já foi transformado em 12º GAAAe.
O equipamento escolhido é o sistema Emads (Enhanced Modular Air Defense Solutions), do renomado grupo multinacional MBDA, que emprega mísseis CAMM-ER de alcance estendido, similares aos que equiparão as novas fragatas da classe Tamandaré da Marinha brasileira, atualmente em construção em Itajaí (SC). A justificativa oficial para esta vultosa compra está alicerçada na necessidade de endereçar os desafios impostos pela "evolução da situação no mundo e no entorno estratégico do país", caracterizada por conflitos e o uso massivo de vetores aeroespaciais de alta letalidade. Em uma declaração anterior à Folha de S.Paulo, o general de Brigada Marcos José Martins Coelho, então comandante da Defesa Antiaérea do Exército, ressaltou que, apesar de a proximidade com a Venezuela não ser o fator preponderante, ela "reforça a ideia de que precisamos do equipamento", conectando indiretamente a aquisição à salvaguarda das fronteiras nacionais, incluindo as da região Amazônica.
O documento detalha que a modalidade de acordo internacional governo a governo (G2G) com a Itália pode viabilizar condições mais favoráveis em termos de financiamento, prazos de entrega, manutenção programada, reposição de peças e garantia de suporte técnico e logístico por várias décadas. O sistema a ser incorporado incluirá, entre outros componentes essenciais, três baterias antiaéreas: uma destinada ao comando e coordenação dos disparos, e duas equipadas com mísseis, contando ainda com lançadores de mísseis de oito células. O contrato estabelece o fornecimento de 60 mísseis por grupo de bateria, dos quais 48 serão operacionais e 12 dedicados a treinamentos. Inicialmente, um grupo de 20 militares brasileiros será enviado ao exterior para capacitação, com a previsão de que futuros treinamentos possam ser realizados em território nacional, garantindo a autonomia e a proficiência no manejo do novo sistema. O Exército brasileiro já havia avaliado anteriormente outros sistemas de defesa, como o alemão IRIS-T SLM/SLS, da Diehl Defence, e o francês Aster (SAMP/T), da Eurosam, antes de sua decisão final, conforme apurou a reportagem original da Folha de S.Paulo.
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/01/exercito-define-compra-de-equipamento-de-defesa-antiaerea-italiano.shtml
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