Brasil busca papel de mediador global em geopolítica instável, com reflexos no Norte do país e em temas como meio ambiente e economia, apontam especialistas

Especialistas ouvidos pelo g1.globo.com avaliam o potencial do Brasil como um agente de diálogo e estabilidade na geopolítica mundial, especialmente na América do Sul. O artigo destaca a importância da posição geográfica, do peso econômico e da tradição diplomática brasileira para mediar crises como a da Venezuela – que impacta o Norte do país com fluxo migratório e instabilidade na fronteira –, bem como para influenciar relações com potências como os Estados Unidos através de 'soft power' em setores estratégicos como agronegócio, energia limpa e minerais críticos. O fortalecimento do Mercosul é visto como central para ampliar a influência e promover estabilidade econômica e política, com o acordo com a União Europeia impulsionando exigências ambientais e regulatórias que podem beneficiar a qualidade do produto brasileiro e atrair investimentos.

Tucupi

Tucupi

Brasil busca papel de mediador global em geopolítica instável, com reflexos no Norte do país e em temas como meio ambiente e economia, apontam especialistas
camera_altFoto: globo
Destaque
Diante de um cenário internacional em constante transformação, marcado por rivalidades entre potências e a fragmentação de alianças tradicionais, o Brasil emerge como um ator com capacidade para atuar como agente de diálogo e estabilidade, especialmente na América do Sul. É o que apontam especialistas em Relações Internacionais em análise publicada pelo g1.globo.com, destacando que a posição geográfica privilegiada, o significativo peso econômico regional e a consolidada tradição diplomática conferem ao país uma influência considerável. Essa capacidade brasileira permite abordar temas sensíveis e defender soluções negociadas, reafirmando seu papel como mediador regional em um tabuleiro geopolítico repleto de incertezas. A professora Carolina Pedroso, da Unifesp, e a pesquisadora Larissa Wachholz, do Cebri, concordam que o país deve priorizar o multilateralismo e a reforma das instituições internacionais, sem alinhamentos automáticos, para enfrentar os desafios globais com foco no desenvolvimento econômico e social nacional. A crise na Venezuela exemplifica a complexidade da atuação brasileira, com o país buscando se posicionar como interlocutor para reduzir tensões. A professora Carolina Pedroso ressalta a realidade de uma fronteira compartilhada de mais de 2.200 quilômetros, que gera um intenso fluxo de entrada de pessoas pelo Norte do país, impactando diretamente regiões como o Amazonas e sua capital, Manaus, em termos de infraestrutura, políticas públicas e economia local. O diálogo diplomático é considerado imprescindível não apenas para proteger os interesses brasileiros, mas também para viabilizar uma eventual mediação que promova uma saída negociada para a situação. Além disso, na relação com os Estados Unidos, o Brasil adota uma postura pragmática, capaz de exercer influência por meio do chamado 'soft power', especialmente em áreas estratégicas para o desenvolvimento e o meio ambiente, como agronegócio, energia limpa e minerais críticos, que possuem grande relevância para a região amazônica. No âmbito do Mercosul, o Brasil vislumbra o bloco como uma ferramenta essencial para ampliar sua influência e fomentar a estabilidade econômica e política em toda a América do Sul. Iniciativas como o acordo entre Mercosul e União Europeia ganham relevância estratégica, não apenas buscando parcerias com potências médias para proteger a soberania nacional, mas também promovendo efeitos de médio e longo prazo, como o aumento da atratividade do Brasil para investimentos diretos globais. A incorporação de exigências ambientais e regulatórias europeias, embora desafiadoras, tende a aprimorar a qualidade do produto brasileiro, o que pode impulsionar setores econômicos sustentáveis e fortalecer a governança ambiental no país, com especial atenção para a Amazônia. O principal desafio, contudo, permanece em transformar esse capital diplomático em resultados concretos, exigindo engajamento consistente e uma política externa ativa para a região, sem pretensões hegemônicas, conforme analisa Larissa Wachholz. Fonte: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/01/17/entenda-que-papel-o-brasil-pode-desempenhar-na-atual-geopolitica-mundial-segundo-especialistas.ghtml

Comentários

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Você receberá um e-mail para confirmar seu comentário.

Seja o primeiro a comentar!