Treinamento no Distrito Federal Aprimora Cuidados Paliativos em UTIs e Alinha-se à Política Nacional de Saúde

Profissionais do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), no Distrito Federal, participaram de uma capacitação em cuidados paliativos para pacientes críticos, em alinhamento com a Política Nacional de 2024. A iniciativa visa integrar essa abordagem no SUS, desmistificando a ideia de que cuidados paliativos significam ausência de tratamento e destacando a baixa cobertura nacional, onde apenas 14% das 625 mil pessoas que necessitam têm acesso efetivo. O treinamento focou na identificação precoce, comunicação com familiares e decisões éticas para proporcionar dignidade e conforto aos pacientes.

Tucupi

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Destaque
Profissionais de saúde do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), localizado no Distrito Federal, estiveram envolvidos recentemente em um significativo treinamento focado na qualificação e integração dos cuidados paliativos à assistência de pacientes em estado crítico. A capacitação, que ocorreu no auditório da unidade, teve como público-alvo principal as equipes atuantes nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e no box de emergência. Esta iniciativa é parte de um esforço maior e alinhado diretamente com a Política Nacional de Cuidados Paliativos, instituída em 2024, que estabelece a necessidade de incorporar essa abordagem humanizada em todos os níveis de atenção do Sistema Único de Saúde (SUS), abrangendo desde o atendimento de urgência e emergência até a terapia intensiva, conforme informações divulgadas pelo Jornal de Brasília. O contexto para a urgência de tal treinamento é alarmante: dados do Ministério da Saúde revelam que, no Brasil, cerca de 625 mil pessoas necessitam de cuidados paliativos, mas uma parcela ínfima, apenas 14% desse público, tem acesso efetivo a esse tipo de assistência. No âmbito do SUS, a situação é ainda mais precária, com menos de 10% dos hospitais contando com serviços estruturados na área. O médico paliativista Arthur Amaral, que chefia o Núcleo de Cuidados Paliativos do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), ressaltou durante o evento a importância crucial de desmistificar a percepção equivocada de que cuidados paliativos equivalem à interrupção do tratamento. Ele enfatizou que "as evidências científicas mostram o contrário: pacientes com tratamento precoce apresentam melhor qualidade de vida e, em alguns casos, maior sobrevida em comparação aos que recebem apenas terapias convencionais", evidenciando um paradigma que busca não apenas prolongar a vida, mas garantir sua qualidade e dignidade até o fim. A relevância da abordagem paliativa é particularmente acentuada nas UTIs, ambientes onde a taxa de mortalidade pode variar significativamente entre 20% e 35%. Nestes cenários, os cuidados paliativos se mostram cruciais para pacientes em condições de fragilidade extrema, com múltiplas comorbidades, falências orgânicas, internações recorrentes ou que são submetidos a procedimentos altamente invasivos. A recomendação do Dr. Amaral é clara: iniciar os cuidados paliativos o mais cedo possível, com o foco primordial na redução do sofrimento do paciente e na proporcionalidade das intervenções médicas, evitando a obstinação terapêutica e priorizando a autonomia do indivíduo. A capacitação, nesse sentido, preparou a equipe multiprofissional para identificar precocemente essa necessidade, aprimorar a comunicação sensível com os familiares e subsidiar decisões clínicas complexas, assegurando uma assistência ética e centrada na pessoa. A assistente social do HRSM, Nubia Maria dos Santos, que possui pós-graduação na área de cuidados paliativos, complementou a discussão, destacando que o sucesso terapêutico transcende a mera aplicação de técnicas médicas. "O verdadeiro sucesso está alinhado aos valores, desejos e história de vida do paciente. O papel da saúde é assegurar dignidade, conforto e cuidado até o fim", afirmou ela. Amaral reforçou a necessidade de que as decisões sejam compartilhadas de forma colaborativa entre a equipe de saúde, o paciente e seus familiares, promovendo uma comunicação empática e o planejamento antecipado dos cuidados. Tal abordagem visa sempre respeitar a autonomia do paciente, ao mesmo tempo em que previne tanto a obstinação terapêutica quanto a negligência assistencial, garantindo que o cuidado seja holístico e alinhado aos princípios humanísticos da medicina, como reportado pelo Jornal de Brasília. Fonte: https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/saude/treinamento-qualifica-cuidados-paliativos-em-uti-do-hospital-de-santa-maria/

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