Exército Brasileiro Reestrutura Programas Estratégicos e Reforça Vigilância na Amazônia Após Cenário Geopolítico Desafiador
O Exército Brasileiro está reestruturando seus projetos estratégicos e atualizando suas capacidades de defesa antiaérea, em resposta direta a questionamentos do presidente Lula após uma ação dos EUA na Venezuela. Entre as mudanças, está a criação do Programa Estratégico Sentinela, que unifica programas anteriores com foco no reforço da vigilância na região da Amazônia. A Força planeja investimentos de R$ 4 bilhões em sistemas antiaéreos e estima R$ 200 bilhões em 15 anos para suas áreas estratégicas, visando capacidade de dissuasão diante de potências extrarregionais.
Tucupi

Destaque
O Exército Brasileiro anunciou uma significativa reestruturação em seus programas estratégicos, uma medida que inclui o fortalecimento da defesa antiaérea e a criação de um programa específico para intensificar a vigilância na região amazônica. Essa decisão surge como uma resposta direta às indagações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feitas em janeiro, sobre a capacidade do Brasil de se defender contra ações semelhantes àquela empreendida pelos Estados Unidos na Venezuela, que visava o ditador Nicolás Maduro. A preocupação do governo federal com a segurança e a soberania do território nacional impulsionou o Estado-Maior do Exército (EME) a revisar e atualizar projetos cruciais, conforme detalhado em portarias recentes.
Uma das principais alterações é a atualização do programa estratégico Astros, que agora se torna Astros-Fogos, incorporando iniciativas de defesa antiaérea. Essa mudança estratégica foi catalisada pela constatação de que, apesar de a Venezuela possuir equipamentos russos de defesa antiaérea, as forças americanas não sofreram perdas aeronáuticas durante a operação em Caracas. O Exército, conforme noticiado pelo Estadão, planeja investir R$ 4 bilhões na aquisição de sistemas como o EMADS (Enhanced Modular Air Defence Solutions), em parceria com a Itália, que permitirá a integração de radares e mísseis CAMM-ER para compor três baterias antiaéreas e treinar 20 militares no exterior. Esse movimento visa dotar o Brasil de uma capacidade de dissuasão aérea robusta e autônoma.
De particular relevância para a região Norte do país, o Exército criou o Programa Estratégico Sentinela, resultado da fusão dos programas Amazônia Sentinela e Sentinela da Pátria. Essa iniciativa visa reforçar decisivamente a ação de vigilância e proteção na vasta região da Amazônia, um território estratégico de fronteiras extensas e sensíveis. A importância dessa medida foi reiterada pelos comandantes militares em reunião com o presidente Lula, que enfatizaram a necessidade de investimentos para garantir que nenhuma potência estrangeira possa transitar impunemente pelo território nacional sem sofrer baixas, um cenário que o Programa Sentinela busca ativamente prevenir na Amazônia.
As recentes portarias do EME não apenas redefinem nomes de projetos, mas também abrem caminho para que recursos extraordinários da Defesa sejam alocados na construção de uma artilharia antiaérea de médio alcance no Brasil, além de facilitar a obtenção de fundos para todas as nove áreas estratégicas do Exército. Além do foco na defesa antiaérea e na Amazônia, a Força prevê investimentos de cerca de R$ 200 bilhões em 15 anos para equipar-se com mísseis táticos de cruzeiro, radares e satélites independentes, fundamentais para assegurar a soberania nacional em um cenário geopolítico mundial em constante evolução. Essas ações refletem uma visão de longo prazo para garantir a capacidade de dissuasão do Brasil, evitando que o país seja pego desprevenido diante de futuras ameaças, conforme reportado pelo Estadão.
Fonte: https://www.estadao.com.br/politica/marcelo-godoy/apos-acao-de-trump-na-venezuela-exercito-muda-projetos-estrategicos-e-acrescenta-defesa-antiaerea/
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