Impasse Institucional Deixa Rodovia AM-174 no Abandono e Moradores Atuam em Reparos no Amazonas

A rodovia AM-174, que conecta Novo Aripuanã e Apuí, no sul do Amazonas, encontra-se em estado precário devido a um impasse institucional sobre a responsabilidade por sua manutenção. Enquanto moradores se mobilizam para fazer reparos emergenciais, os governos estadual e federal, além das prefeituras locais, divergem sobre a competência da via, com especialistas criticando o descaso do estado e defendendo a federalização ou a recriação de um órgão rodoviário estadual.

Tucupi

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Impasse Institucional Deixa Rodovia AM-174 no Abandono e Moradores Atuam em Reparos no Amazonas
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Destaque
A rodovia AM-174, vital para a ligação entre os municípios de Novo Aripuanã e Apuí, na região sul do Amazonas, tem se tornado o epicentro de um grave impasse institucional que reflete o descaso com a infraestrutura regional. Com trechos intransitáveis, pontes em ruínas e a completa falta de asfaltamento, a via tem levado a população a se organizar em mutirões para realizar reparos emergenciais, como a recuperação de uma ponte de madeira, após o grupo “SOS AM-174” arrecadar fundos para tentar mitigar a situação crítica. A degradação da estrada não apenas dificulta o transporte e a mobilidade dos cidadãos, mas também compromete seriamente o escoamento das produções locais, impactando diretamente a economia da região. O cerne do problema reside na falta de clareza sobre qual esfera governamental é responsável pela manutenção da AM-174. Anteriormente considerada de competência estadual, o governo do Amazonas agora argumenta que a rodovia seria municipal, enquanto a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) afirma não haver registros oficiais ou jurídicos que comprovem sua inclusão formal no sistema viário estadual. Paralelamente, o governo federal, que em outras ocasiões realizou obras de manutenção, tem sido alvo de pedidos de políticos do Amazonas, como o deputado Átila Lins, para federalizar a via, dada sua importância estratégica. Esse jogo de empurra-empurra burocrático, conforme reportado por A Crítica, impede uma atuação contínua e eficaz, deixando a população à mercê da própria sorte em meio a atoleiros e pontes colapsadas. Diante da inação ou da indefinição dos governos estadual e federal, as prefeituras de Apuí e Novo Aripuanã têm sido pressionadas a intervir. O presidente da Associação Amazonense dos Municípios (AMM), Anderson Souza, destacou que o trecho mais crítico da AM-174, dos seus 290 km de extensão, concentra-se em Novo Aripuanã, onde a estrada se encontra em “estado de abandono”, com problemas estruturais graves, como a ponte de 120 metros sobre o rio Aracu, que representa risco iminente. Especialistas como o engenheiro civil Marcos Maurício Costa e o doutor em Engenharia de Transporte Augusto Rocha criticam abertamente o descaso do governo estadual com o sul do Amazonas, com Costa sugerindo a recriação do Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas (DER-AM) para garantir a capacidade técnica de gestão e manutenção, enquanto Rocha reafirma a responsabilidade do Estado pela trafegabilidade da via. A situação na AM-174 é, inclusive, comparada à de outras obras no interior e na capital, como o Anel Leste em Manaus, evidenciando uma alegada falta de prioridade para a infraestrutura. Enquanto a Seinfra detalha investimentos bilionários em modernização e reconstrução de rodovias estaduais e rurais, a crítica sobre a AM-174 persiste, apontando para uma lacuna na gestão e priorização regional. A indefinição quanto à competência e a subsequente falta de manutenção adequada transformaram uma importante artéria de transporte em um obstáculo, com impactos diretos na vida e na economia das comunidades. A reportagem de A Crítica (https://www.acritica.com/politica/estrada-entre-novo-aripuan-a-apui-fica-no-centro-de-impasse-sobre-responsabilidade-de-manutenc-o-1.393507) ressalta a urgência de uma solução definitiva para a rodovia, não apenas para garantir a segurança dos usuários, mas para restabelecer o desenvolvimento e a conectividade do sul do Amazonas.

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