Brasil registra décimo mês consecutivo de deflação no IPP em novembro, revela IBGE
O Índice de Preços ao Produtor (IPP) do Brasil registrou seu décimo mês consecutivo de deflação em novembro, com uma queda de 0,37%, conforme dados do IBGE. No acumulado do ano, a redução atinge 4,66%. A deflação é atribuída a quedas em 12 das 24 atividades industriais, com destaque para produtos químicos, alimentos e refino de petróleo, influenciada por fatores como a dinâmica do mercado internacional, oferta robusta de commodities e a valorização do real frente ao dólar.
Tucupi

Destaque
A economia brasileira continua a apresentar um cenário de contenção de preços no nível da produção. O Índice de Preços ao Produtor (IPP) registrou em novembro seu décimo mês consecutivo de deflação, com uma nova queda de 0,37%, conforme informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa tendência consistente resultou em uma diminuição acumulada de 4,66% no índice ao longo do ano, refletindo um movimento mais amplo de ajustes de preços em diversos setores industriais em todo o território nacional. O IPP, que monitora as variações de preços na “porta da fábrica” — excluindo impostos e fretes — para a indústria extrativa e 23 setores da indústria de transformação, serve como um barômetro crucial para as pressões inflacionárias subjacentes na cadeia produtiva. Este período prolongado de variações negativas sugere uma mudança significativa no panorama de custos para as indústrias que operam no país, potencialmente influenciando os preços futuros ao consumidor e a dinâmica econômica geral.
De acordo com a análise do IBGE, a deflação de novembro foi impulsionada por reduções de preços em 12 das 24 atividades pesquisadas. O segmento de “outros produtos químicos” desempenhou um papel particularmente significativo, com um recuo de 3,43%, contribuindo com -0,15 ponto percentual para o resultado geral do IPP. Alexandre Brandão, gerente de análise e metodologia do IBGE, explicou que este setor acompanha de perto as tendências do mercado internacional. Outras quedas notáveis foram observadas nos preços de alimentos (-0,52%), em alguns subgrupos de produtos químicos (-1,52%) e em refino de petróleo e biocombustíveis (-0,79%), os quais também impactaram os números mensais. Esses fatores, em conjunto, pintam um quadro de um ambiente industrial que lida com dinâmicas variadas de oferta e demanda, aliadas a influências externas que se estendem para além das fronteiras nacionais, impactando os custos de produção para uma vasta gama de bens consumidos em todo o Brasil.
O setor de alimentos emergiu como o principal contribuinte para o declínio do IPP a longo prazo, sendo responsável por -2,55 pontos percentuais da queda acumulada de 4,66% no ano e -2,16 pontos percentuais no resultado acumulado em 12 meses. Esse desempenho negativo nos preços dos alimentos foi influenciado principalmente por uma oferta global robusta de açúcar e soja, juntamente com o aumento da disponibilidade de arroz devido a condições climáticas favoráveis, conforme destacado por Brandão. Ele observou que 2025 apresentou fortes ofertas globais de açúcar, com as exportações brasileiras em destaque, e uma menor demanda chinesa por soja. Além dessas dinâmicas setoriais específicas, o IBGE também ressaltou o papel da valorização do Real frente ao dólar americano, que ganhou 12,4% entre novembro de 2024 e novembro de 2025. Esse fortalecimento cambial, ao tornar os insumos importados mais baratos, atuou como um fator transversal, contribuindo ainda mais para as pressões deflacionárias generalizadas observadas no IPP. A reportagem original foi publicada pelo Jornal de Brasília (https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/economia/ipp-de-novembro-e-o-10o-mes-seguido-de-deflacao-mostra-ibge/).
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