Estudo Sugere Luto por Pets Pode Ser Mais Intenso que por Familiares, Desafiando Diretrizes Médicas

Uma pesquisa recente publicada na revista Plos One, repercutida pelo Jornal de Brasília, sugere que a morte de um animal de estimação pode levar a um luto tão ou mais intenso que a perda de um parente, podendo até desencadear o transtorno do luto prolongado. O estudo desafia as diretrizes atuais da OMS e APA, que não consideram a perda de pets como causa desse transtorno. Especialistas brasileiros, como Maria Helena Pereira Franco da PUC-SP, corroboram a necessidade de reconhecimento desse tipo de luto, especialmente para grupos vulneráveis como idosos.

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Estudo Sugere Luto por Pets Pode Ser Mais Intenso que por Familiares, Desafiando Diretrizes Médicas
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Uma nova pesquisa sugere que a perda de um animal de estimação pode desencadear um luto tão profundo e intenso quanto a morte de um familiar humano, desafiando as diretrizes atuais de organizações de saúde globais. Publicado na revista científica Plos One, o estudo aponta que o luto pela morte de um pet pode até levar ao transtorno do luto prolongado, uma condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Associação Americana de Psiquiatria (APA), mas que, até agora, não incluía a perda de animais de estimação como um gatilho típico. As informações foram repercutidas pelo Jornal de Brasília, e trazem à tona a necessidade de uma revisão na forma como a sociedade e a comunidade médica encaram a dor de quem perde um companheiro animal. A investigação, que analisou dados de 975 adultos no Reino Unido, revelou que, entre os participantes que vivenciaram tanto a perda de entes queridos quanto de animais de estimação, 21% consideraram a morte do pet como a mais dolorosa. Esse percentual foi superado apenas pela morte de pai ou mãe (42%), ficando acima da dor sentida pela perda de amigos próximos, parceiros ou irmãos. Além disso, o estudo identificou que 7,5% dos que perderam animais de estimação desenvolveram o transtorno do luto prolongado, uma taxa comparável àqueles que perderam um amigo próximo (7,8%) ou um irmão (8,9%). Esses números evidenciam que a intensidade do luto pode transcender a espécie, ressaltando a complexidade dos laços afetivos estabelecidos com os animais. No Brasil, a professora Maria Helena Pereira Franco, titular convidada da PUC-SP e presidente da Associação Brasileira Multiprofissional sobre o Luto (ABMLuto), corrobora a tese do estudo, destacando que a discussão sobre o luto após a perda de um animal tem ganhado espaço, especialmente após a pandemia de Covid-19. Franco ressalta que certos grupos populacionais são mais vulneráveis a um luto profundo por animais de estimação, como idosos que vivem sozinhos e encontram em seus pets uma fonte essencial de companhia e afeto. Para esses indivíduos, a morte do animal não pode ser ignorada, pois se soma a experiências de solidão e perdas de sua própria geração, intensificando a necessidade de reconhecimento e apoio. O reconhecimento e a validação do luto são cruciais para que os enlutados possam vivenciar plenamente o processo de dor, evitando complicações futuras. A professora Franco alerta que a não aceitação de diferentes tipos de luto pode levar à repressão dos sentimentos e à falta de apoio social, ampliando o risco de desenvolvimento do transtorno do luto prolongado. Embora o estudo apresente limitações, como ter sido conduzido apenas com participantes do Reino Unido, o impacto de suas conclusões ressalta a importância de uma abordagem mais empática e inclusiva em relação ao luto por animais de estimação, um fenômeno com possíveis reflexos na saúde mental da população em todo o país. Fonte: https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/saude/mortes-de-pets-podem-levar-a-luto-mais-intenso-do-que-de-parentes-aponta-pesquisa/

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