Fundos de previdência de estados e municípios investiram quase R$ 2 bilhões no Banco Master
Um relatório do Jornal Nacional revela que fundos de previdência de diversos estados e municípios brasileiros, incluindo o Amazonas, investiram quase R$ 2 bilhões no Banco Master, que está sob suspeita. Esses investimentos não possuem a proteção do Fundo Garantidor de Crédito. Embora entidades como o RioPrevidência e o município de Congonhas assegurem que os pagamentos a aposentados e pensionistas não serão afetados e que possíveis déficits serão cobertos pelos tesouros estaduais ou municipais, a situação gerou apreensão e levantou questões sobre a devida diligência e a legalidade na gestão dos fundos públicos. O Ministério da Previdência reforça a responsabilidade dos entes federativos em garantir os benefícios.
Fundos de previdência estaduais e municipais em todo o Brasil, incluindo o do Amazonas, destinaram um montante expressivo de quase R$ 2 bilhões em investimentos ao Banco Master, instituição que agora se encontra sob intenso escrutínio e enfrenta suspeitas de irregularidades. A notícia, divulgada pelo Jornal Nacional em 16/01/2026 (g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/01/16/fundos-de-previdencia-estados-e-municipios-master.ghtml), ressalta que esses vultosos aportes não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), expondo os recursos públicos a um risco considerável. A revelação acende um alerta sobre a segurança dos ativos que garantem o futuro de milhares de aposentados e pensionistas em diversas localidades do país, com implicações diretas para a economia e as políticas públicas de gestão de recursos. A situação reforça a importância da fiscalização e da transparência na administração desses valores, essenciais para a estabilidade social e econômica.
Entre os fundos impactados, o RioPrevidência, responsável por 240 mil aposentados e pensionistas no estado do Rio de Janeiro, figura no topo da lista, com um investimento de quase R$ 1 bilhão, correspondendo a 15% de seus recursos totais. O presidente do conselho fiscal do RioPrevidência, Zanata Alves, afirmou que o conselho alertou sobre a insustentabilidade das operações do Banco Master. Apesar dos riscos, o fundo carioca declarou ter conseguido reter judicialmente o repasse de dinheiro de empréstimos consignados e assegurou que qualquer insuficiência financeira será coberta pelo tesouro estadual, sem risco aos beneficiários. A apreensão, no entanto, se estende a outros estados e municípios, onde fundos previdenciários também aplicaram recursos na instituição.
O Ministério da Previdência confirmou que, além do Rio de Janeiro, os fundos dos estados do Amazonas e Amapá, bem como de 15 outros municípios brasileiros, também realizaram aplicações no Master. O fundo previdenciário do Amazonas, especificamente, esclareceu que seu investimento representa menos de 0,5% do total de suas aplicações, e garantiu possuir recursos suficientes para honrar todos os pagamentos de aposentadorias e pensões. Contudo, a ausência da cobertura do FGC para esses valores reforça a vulnerabilidade, colocando em destaque a prerrogativa legal que atribui a estados e municípios a responsabilidade direta por garantir o pagamento de aposentadorias e pensões de seus servidores, caso os regimes próprios de previdência se mostrem insuficientes. Este cenário levanta questões sobre a infraestrutura de segurança e fiscalização desses investimentos.
A advogada Lilian Salgado, especialista em Direito Previdenciário, alertou sobre a potencial negligência dos gestores públicos, que podem ter desrespeitado princípios legais ao alocar recursos no Banco Master. Ela enfatiza que o dinheiro público deve ser gerido com máxima segurança, transparência e compliance, e a falta dessas premissas pode acarretar responsabilização dos gestores por eventuais prejuízos. O episódio de Congonhas (MG), onde um aposentado expressou temor de ficar sem pagamento após um aporte de R$ 14 milhões do fundo municipal no Master, ilustra a apreensão gerada na população. Embora as prefeituras e fundos envolvidos reiterem que não há risco para os beneficiários, a situação sublinha a necessidade de rigor e cautela na administração dos fundos de previdência em todo o país.