Inesc Alerta para Riscos Socioeconômicos e Ambientais do Acordo UE-Mercosul
O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) expressou sérias preocupações com o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, recentemente aprovado. O instituto alerta para riscos socioeconômicos e ambientais, incluindo a falta de transparência nas negociações, o aprofundamento de uma divisão desigual do comércio internacional (com o Mercosul focado em produtos primários), o incentivo à expansão agropecuária e mineradora com consequente desmatamento, aumento de emissões de gases de efeito estufa, uso de agrotóxicos e impactos negativos em comunidades tradicionais e povos indígenas no Brasil e em outros países do Mercosul.
Tucupi

Destaque
O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) manifestou profundas preocupações em relação ao recém-aprovado acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, conforme reportado pela coluna Painel da Folha de S.Paulo (https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2026/01/instituto-ve-riscos-socioeconomicos-e-ambientais-de-acordo-ue-mercosul.shtml). Após 25 anos de negociações, o Inesc aponta que o pacto, que cria o maior mercado do tipo no mundo, carrega consigo riscos significativos nas esferas socioeconômicas e ambientais, além de um receio de que possa perpetuar e aprofundar uma divisão desigual no comércio internacional entre os blocos. A falta de transparência nas negociações, conduzidas a portas fechadas e com o texto final traduzido apenas após a conclusão em dezembro de 2024, foi um dos principais pontos criticados pelo instituto.
Carolina Alves, assessora política do Inesc, destaca que o modelo do acordo tende a reforçar o papel do Mercosul como exportador de produtos primários, enquanto a Europa se concentraria em bens manufaturados e serviços de maior valor agregado. Essa dinâmica, segundo o instituto, compromete o desenvolvimento sustentável dos países sul-americanos e pode impactar negativamente as condições de vida da população. A previsível desindustrialização e a perda de empregos no setor industrial, em detrimento de uma reprimarização da economia, são vistas como consequências diretas dessa estrutura comercial, agravando desafios já existentes e limitando o potencial de crescimento autônomo da região. O Inesc argumenta que essa assimetria comercial dificulta a diversificação econômica necessária para uma inserção global mais equitativa e resiliente.
No que tange aos impactos ambientais e sociais, as preocupações do Inesc são ainda mais alarmantes e particularmente relevantes para regiões como a Amazônia. O acordo é visto como um forte incentivo à expansão da atividade agropecuária para exportação, o que inevitavelmente contribuirá para o aumento das emissões de gases de efeito estufa. Tal expansão impulsionará a fronteira agrícola e o crescimento de áreas para a pecuária, processos que são reconhecidos como os maiores vetores de desmatamento no Brasil. Além disso, a assessora política do instituto alerta para a ampliação da devastação ambiental, o uso intensivo de agrotóxicos – com riscos para a saúde dos trabalhadores e a qualidade dos alimentos e do solo – e a intensificação da atividade mineradora.
A redução e eliminação de tarifas de importação para minerais, previstas no acordo, podem ampliar consideravelmente a mineração no Brasil e em outros países do Mercosul. Esta expansão, segundo o Inesc, promete gerar impactos ambientais significativos no solo e na água, além de afetar diretamente comunidades tradicionais e povos indígenas que residem em territórios ricos em minério ou em suas proximidades. As implicações para a biodiversidade, os ecossistemas e a subsistência dessas populações são consideradas críticas, demandando uma análise aprofundada e transparente que, segundo o instituto, esteve ausente no processo de negociação do acordo.
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2026/01/instituto-ve-riscos-socioeconomicos-e-ambientais-de-acordo-ue-mercosul.shtml
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