Etanol de milho deve atingir 10 bilhões de litros no Brasil
O setor brasileiro de etanol de milho registra crescimento acelerado, com projeção de alcançar 10 bilhões de litros nesta safra e 12 bilhões na próxima, representando um terço do mercado nacional de etanol. Diante da rápida expansão, a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) busca estratégias para absorver o volume adicional, incluindo a expansão do consumo interno em regiões de baixa utilização, como o Norte do país, e o desenvolvimento de novos mercados internacionais para combustíveis sustentáveis. O investimento em novas biorrefinarias está concentrado no Centro-Oeste, Sul e Matopiba, mas a meta é dobrar a produção até 2032, desde que haja demanda.
Tucupi

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O Brasil assiste a uma consolidação notável do etanol de milho como um dos pilares de sua matriz de biocombustíveis, com projeções que apontam para uma produção de 10 bilhões de litros no atual ano-safra, um volume que já representa cerca de um terço de todo o mercado nacional de etanol. Esse crescimento exponencial, que tem superado taxas de 30% ao ano nos últimos oito anos, deverá continuar, com estimativas preliminares indicando um aumento de aproximadamente 20% para a próxima safra, que se inicia em abril, elevando a produção para algo próximo de 12 bilhões de litros. A rápida expansão, conforme reportado pela CNN Brasil com base em entrevista exclusiva com Guilherme Nolasco, presidente da Unem (União Nacional do Etanol de Milho), coloca o setor diante do desafio de absorver um volume cada vez maior, que exige a criação de novos mercados consumidores para garantir a sustentabilidade do crescimento.
A estratégia do setor para lidar com a superoferta projetada passa por três pilares principais: expandir o consumo interno em regiões onde o etanol ainda é subutilizado, substituir a gasolina em mercados já consolidados e desenvolver novas aplicações no mercado internacional. No contexto interno, a Unem identifica que o consumo relevante de etanol hidratado está concentrado em apenas seis estados produtores (São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Minas Gerais). Em outras regiões, como o Norte, o consumo esbarra nos preços elevados, que se aproximam dos da gasolina, dificultando a adesão dos consumidores. A pulverização do consumo é vista como crucial, com a inauguração de oito novas biorrefinarias este ano em diferentes regiões, embora a maioria dos investimentos se concentre no Centro-Oeste, Sul e Matopiba.
Para o Amazonas e outras localidades da região Norte, a discussão sobre a expansão do consumo interno de etanol de milho adquire relevância econômica e ambiental significativa. A chegada de novas plantas e a busca por equalizar a oferta e demanda nacionalmente podem, a médio e longo prazo, impactar a disponibilidade e o preço do biocombustível nessas áreas. Uma maior oferta de etanol a preços competitivos poderia não apenas fomentar a economia local ao proporcionar uma alternativa de combustível mais limpa, mas também alinhar-se com objetivos ambientais de redução da dependência de combustíveis fósseis. A projeção da Unem de dobrar a produção de etanol de milho para cerca de 20 bilhões de litros até 2032 sublinha a escala potencial dessa transformação, embora o sucesso dependa diretamente da criação de demanda efetiva, inclusive em mercados regionais como o amazonense, que hoje apresentam baixos índices de consumo devido a fatores de custo.
Além do mercado doméstico, o setor aposta em aplicações de médio e longo prazo, como o uso do etanol na produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e no transporte marítimo, além da exportação para países que buscam ampliar a mistura de etanol à gasolina. Guilherme Nolasco enfatiza que, embora o Brasil possa se tornar grande demais para o mercado interno no curto prazo, ainda é pequeno frente aos potenciais mercados globais de navegação e aviação. Essa visão estratégica, que busca diversificar os destinos do etanol, demonstra o compromisso do setor com um crescimento sustentável, vislumbrando um cenário onde a produção de biocombustíveis nacionais não só atende às necessidades internas, mas também posiciona o Brasil como um player chave na transição energética global, com potenciais impactos positivos em termos de desenvolvimento econômico e pautas ambientais para todas as regiões do país, incluindo o Amazonas.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/etanol-de-milho-deve-atingir-10-bilhoes-de-litros-no-brasil/
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