Crochê como Terapia Inovadora: Distrito Federal Usa Artesanato Contra Dependência Química

O Distrito Federal tem implementado oficinas de crochê como uma terapia inovadora nos Centros de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (Caps AD) para combater a dependência química. A iniciativa, parte da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), visa promover a coordenação motora, a persistência e a meditação entre os pacientes, além de fortalecer a autonomia, reconstruir vínculos sociais e reduzir estigmas. Profissionais e pacientes relatam benefícios na concentração, no manejo da frustração e no desenvolvimento de novas conexões neurais, utilizando a atividade manual como uma metáfora para os desafios da vida e do tratamento contínuo contra a dependência.

Tucupi

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Crochê como Terapia Inovadora: Distrito Federal Usa Artesanato Contra Dependência Química
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Destaque
O combate à dependência química no Distrito Federal tem ganhado um reforço com uma abordagem terapêutica inovadora: as oficinas de crochê nos Centros de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (Caps AD). Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença, a dependência é enfrentada por meio da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) da Secretaria de Saúde (SES-DF), que integra diversas frentes de tratamento. A atividade manual, que vai muito além da simples técnica, tem se mostrado uma ferramenta poderosa na promoção de coordenação motora, estimulação cerebral, desenvolvimento da persistência e até mesmo como prática meditativa para os pacientes em tratamento, oferecendo um caminho diferenciado na recuperação. A enfermeira Angelita Bandeira, coordenadora da oficina no Caps AD II de Santa Maria, conhecido como Caps Flor de Lótus, explica que o crochê engaja o cérebro em novas conexões neurais e auxilia no desenvolvimento de habilidades cruciais, como a capacidade de lidar com frustrações e a necessidade de persistência – afinal, um erro no crochê exige desmanchar e recomeçar o trabalho. Ela compara a atividade à própria vida, enfatizando a importância de parar, respirar e recomeçar quando algo não sai como o planejado. Essa metáfora viva é vital para os pacientes, que encontram na tensão da linha um reflexo da própria jornada de controle e superação, conforme reportado pelo Jornal de Brasília. O tratamento nos Caps ADs, conforme ressalta Adriana Câmara, gerente do Caps AD II, transcende a mera abordagem clínica, focando no fortalecimento da autonomia dos usuários, na reconstrução de vínculos familiares e comunitários, e na promoção da reinserção social, combatendo ativamente o estigma associado à dependência. Além do crochê, as unidades oferecem outras atividades como pintura, manutenção de horta e grupos de terapia coletiva, tudo dentro de um regime de porta aberta, sem necessidade de agendamento. Este leque de opções é crucial, especialmente quando se observa que cerca de 90% dos usuários atendidos manifestam abuso de álcool, uma substância lícita cuja aceitação cultural dificulta o reconhecimento do problema e a adesão ao tratamento. Pacientes como Alexandre Frazão, em tratamento há 16 anos contra o alcoolismo, e Terezinha de Jesus, há duas décadas na luta contra a dependência de álcool, testemunham os benefícios do crochê. Frazão relata que a atividade melhora sua concentração e o faz esquecer do problema temporariamente, enquanto Terezinha afirma que a terapia reduziu seu consumo e o acolhimento no centro a fortalece mutuamente com outros usuários. Embora a dependência seja uma condição crônica que busca controle e não uma cura definitiva, a constância e o apoio mútuo, incentivados por iniciativas como essa, são fundamentais para o sucesso. “Todo dia é uma batalha”, aconselha Terezinha, reforçando a importância de buscar ajuda e apoio contínuo na jornada de recuperação, segundo informações do Jornal de Brasília (https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/saude/croche-como-terapia-inovadora-nos-caps-ad-do-df-contra-dependencia-quimica/).

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