Brasil Estaciona em Posição Crítica no Ranking Global de Corrupção, Aponta Transparência Internacional
O Brasil manteve sua baixa posição no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2023, elaborado pela Transparência Internacional, pontuando 35 e ocupando o 107º lugar entre 182 nações. O relatório destaca a estagnação na percepção de integridade, o aumento do volume de emendas parlamentares com 'captura orçamentária' se estendendo a estados e municípios, e a infiltração do crime organizado, citando casos como os do INSS e Banco Master. A ONG propôs recomendações para os três Poderes combaterem a corrupção, enquanto a Controladoria-Geral da União (CGU) criticou a metodologia do índice, enfatizando que ele mede percepção e não a ocorrência real de corrupção, e ressaltou os esforços governamentais no combate a ilícitos.
O Brasil permanece em uma situação preocupante no cenário internacional de combate à corrupção, mantendo sua pior colocação no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) em 2023, conforme revelado pela Transparência Internacional. O país obteve 35 pontos em uma escala de 0 a 100, onde notas mais altas indicam menor percepção de corrupção, e ocupou a 107ª posição entre 182 nações avaliadas. Esse resultado, considerado estatisticamente irrelevante em relação ao ano anterior, sinaliza uma estagnação no avanço da integridade no setor público nacional. A média global e das Américas, de 42 pontos, demonstra que o Brasil se encontra abaixo do patamar esperado, distante de nações líderes como Dinamarca e Finlândia, que pontuaram 89 e 88, respectivamente, segundo o levantamento divulgado pelo Estadão.
O relatório da Transparência Internacional, em seu anexo 'Retrospectiva 2023', aprofunda a análise ao apontar o agravamento da infiltração do crime organizado no Estado brasileiro e menciona casos de macrocorrupção que expõem falhas estruturais. Entre os exemplos citados estão os esquemas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Banco Master, indicando a vulnerabilidade de setores estratégicos como o financeiro e a advocacia para práticas ilícitas. Um ponto de especial atenção e com impacto direto nas regiões, incluindo o Amazonas, é o aumento recorde do volume de emendas parlamentares, que ultrapassaram R$ 60 bilhões no orçamento de 2024/2025. A ONG descreve esse fenômeno como uma 'captura orçamentária' que se estende a estados e municípios, afetando a autonomia e a gestão dos recursos públicos em todo o território nacional.
Diante desse cenário, a organização não governamental apresentou uma série de recomendações abrangentes para os três Poderes da República, visando fortalecer a integridade institucional e conter o avanço da corrupção. Para o Executivo, foram propostas maior transparência na execução orçamentária e na distribuição de emendas, além do reforço das investigações baseadas em inteligência financeira. Ao Judiciário, sugeriu-se a criação de um código de conduta para o Supremo Tribunal Federal, com regras claras sobre conflitos de interesse, e celeridade nas investigações de macrocorrupção. Já o Legislativo foi instado a aprimorar o controle das emendas, regulamentar o lobby e revisar o Estatuto da Advocacia, medidas que, se implementadas, teriam um impacto sistêmico na governança e na alocação de verbas em todas as unidades federativas, incluindo as do Norte do país.
Em contraponto às análises da Transparência Internacional, a Controladoria-Geral da União (CGU) emitiu uma nota destacando as limitações metodológicas do IPC. O órgão governamental argumentou que o índice reflete apenas a percepção de grupos específicos, como executivos e analistas, e não a ocorrência real da corrupção ou a percepção da população em geral. A CGU enfatizou que variações no ranking podem não corresponder a mudanças efetivas na atuação do Estado ou no nível de corrupção, podendo levar a interpretações equivocadas. A Controladoria citou o caso do INSS como um paradoxo, onde o próprio governo identificou o esquema, promoveu investigações e iniciou o ressarcimento aos aposentados, ressaltando que o aumento das investigações e da transparência, na verdade, significa maior capacidade do Estado de enfrentar a corrupção de forma efetiva, conforme noticiado pelo Estadão.