Juros elevados são a principal barreira para 80% das indústrias na obtenção de crédito, aponta CNI
Uma sondagem recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a ABDE, revelou que 80% das empresas industriais brasileiras que enfrentaram dificuldades para obter empréstimos culpam os juros elevados como o principal entrave. A pesquisa, que abrangeu créditos de curto, médio e longo prazo, aponta para condições de acesso ao crédito cada vez piores, com a taxa Selic a 15% desde junho de 2025, impactando negativamente o investimento e a competitividade da indústria nacional.
Tucupi

Destaque
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em conjunto com a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), divulgou os resultados de uma sondagem especial que pinta um cenário desafiador para o setor industrial brasileiro no acesso ao crédito. O levantamento, intitulado "Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025", aponta que uma esmagadora maioria – oito em cada dez empresas industriais – que enfrentaram obstáculos na obtenção de empréstimos culpam diretamente os juros elevados como o principal fator. Essa dificuldade se manifesta tanto na busca por financiamentos de curto e médio prazo quanto na de longo prazo, impactando diretamente a capacidade de investimento e expansão das empresas em todo o território nacional, incluindo as indústrias da região do Amazonas.
A pesquisa revela dados preocupantes sobre a contratação e renovação de crédito. Apenas 26% dos industriais conseguiram contratar ou renovar crédito de curto prazo no período analisado, percentual que cai para 17% quando se trata de crédito de longo prazo (acima de cinco anos). Entre as empresas que buscaram financiamentos de longo prazo, cerca de um terço não obteve sucesso, enquanto um quinto das que procuraram empréstimos de curto ou médio prazo também foi frustrado. Esse percentual de insucesso foi ainda mais acentuado entre as médias indústrias, sublinhando as dificuldades enfrentadas por um segmento crucial da economia brasileira, que tem reflexos em polos industriais de grande relevância, como o da Zona Franca de Manaus.
Adicionalmente, 35% das empresas que renovaram crédito de curto ou médio prazo relataram que as condições de acesso, como taxas de juros, número de parcelas, período de carência e exigência de garantias, pioraram significativamente entre fevereiro e julho de 2025. Para as operações de longo prazo, 33% dos industriais fizeram a mesma avaliação. Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, enfatiza a gravidade da situação, destacando que a taxa básica de juros, a Selic, encontra-se em 15% desde junho de 2025, o maior patamar desde 2006. "A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito, uma vez que a taxa Selic está em 15% ao ano e os juros reais em torno de 10%. O crédito mais caro desincentiva o investimento em expansão da capacidade produtiva e em inovação. Com isso, a indústria perde competitividade", alertou Colusso, conforme reportado pela CNN Brasil (https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/80-dos-industriais-culpam-juros-por-dificuldade-em-obter-credito-diz-cni/).
Os resultados da sondagem, que contou com a participação de 1.789 empresas industriais de diferentes portes e foi aplicada entre 1º e 12 de agosto de 2025, oferecem uma visão clara e abrangente dos desafios significativos impostos pela política monetária atual ao desenvolvimento industrial do Brasil. A pesquisa revela que apenas uma pequena parcela, cerca de 14% das empresas, conseguiu renovar seus empréstimos de curto ou médio prazo com condições melhores, um percentual que diminui ainda mais, para apenas 12%, quando se trata de crédito de longo prazo. Este cenário nacional de severa restrição creditícia e custos elevados afeta profundamente a capacidade de crescimento, modernização e inovação das indústrias, gerando impactos diretos e indiretos em todas as regiões do país, incluindo o estratégico estado do Amazonas, onde a manutenção e o desenvolvimento da indústria são cruciais para a economia local e regional.
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