Anvisa aprova lenacapivir injetável para prevenção do HIV

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do lenacapivir injetável, comercialmente conhecido como Sunlenca, para a prevenção do HIV no Brasil. O medicamento, aplicado apenas duas vezes ao ano, oferece uma nova opção de profilaxia pré-exposição (PrEP) de longa duração, com alta eficácia comprovada em estudos, seguindo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para combater a estagnação nos esforços de prevenção global. Contudo, o alto custo e o desafio de garantir acesso equitativo a todos que necessitam são pontos críticos para sua implementação.

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Anvisa aprova lenacapivir injetável para prevenção do HIV
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Destaque
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) marcou um avanço significativo na saúde pública brasileira ao aprovar, nesta segunda-feira (12), o uso do lenacapivir injetável para a prevenção do HIV. O medicamento, conhecido comercialmente como Sunlenca, representa uma nova e promissora alternativa na profilaxia pré-exposição (PrEP), distinguindo-se por sua aplicação semestral, oferecendo uma opção de longa duração em contraste com as pílulas orais diárias. Conforme a Anvisa, o lenacapivir é indicado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 kg, que possuam risco de adquirir o HIV, exigindo um teste negativo para a doença antes do início do tratamento. Esta aprovação alinha o Brasil às diretrizes internacionais e reforça o arsenal disponível contra a epidemia de HIV no país, com potencial impacto em todas as regiões, incluindo o Amazonas e Manaus, onde o acesso a políticas públicas de saúde é crucial. (Fonte: g1.globo.com/saude/noticia/2026/01/12/anvisa-aprova-lenacapavir-injetavel-para-prevencao-do-hiv.ghtml) A eficácia do lenacapivir tem sido amplamente destacada em pesquisas globais. Em julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia recomendado o medicamento, classificando-o como a melhor opção após uma vacina e um antirretroviral de longa ação que “preveniu quase todas as infecções entre pessoas em risco”. Um estudo de 2024, publicado na renomada revista "New England Journal of Medicine (NEJM)", evidenciou uma eficácia de 100% na prevenção do HIV em mulheres, inclusive levando à interrupção precoce dos ensaios clínicos devido aos resultados excepcionais. Outro estudo com 3.265 indivíduos de diferentes gêneros em 2024 também reforçou a alta proteção do lenacapivir, com apenas dois casos de infecção registrados entre os voluntários que fizeram uso do remédio. Tais dados sublinham o potencial transformador deste medicamento para a saúde global e nacional. Contudo, a introdução do lenacapivir no sistema de saúde brasileiro não está isenta de desafios, especialmente no que tange às políticas públicas e à economia da saúde. O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) expressou que o medicamento oferece esperança para acelerar os esforços de erradicação da Aids como ameaça à saúde pública até 2030, uma meta da Agenda 2030 da ONU. No entanto, a agência da ONU alertou que, para que isso se concretize, a Gilead, fabricante do medicamento, precisa garantir o acesso global equitativo. Com um custo estimado em cerca de US$ 40 mil por pessoa anualmente, a incorporação do lenacapivir pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e sua distribuição em todo o território nacional, incluindo regiões remotas do Amazonas, exigirão consideráveis investimentos e estratégias para negociação de preços e garantia de acessibilidade, sendo este um ponto crítico para a efetividade desta política pública no combate ao HIV. Este novo recurso injetável, aplicado duas vezes ao ano, representa uma vantagem significativa em comparação com os atuais medicamentos orais de PrEP, que exigem uma adesão diária ou sob demanda. A conveniência do lenacapivir pode aumentar a adesão e, consequentemente, a efetividade da prevenção, especialmente em populações que enfrentam barreiras para o uso diário dos comprimidos. A decisão da Anvisa posiciona o Brasil na vanguarda das estratégias de prevenção do HIV, oferecendo uma ferramenta robusta para o controle da epidemia. No entanto, o verdadeiro impacto deste avanço dependerá diretamente da capacidade do país em desenvolver políticas públicas de acesso que superem os obstáculos financeiros e logísticos, garantindo que a inovação chegue a todos os cidadãos, em todas as cidades e estados, desde as grandes metrópoles até as comunidades mais distantes. Fonte: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/01/12/anvisa-aprova-lenacapavir-injetavel-para-prevencao-do-hiv.ghtml

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