Acordo Mercosul-UE: Setor Mineral Brasileiro Vê Oportunidade para Investimentos e Sustentabilidade
O setor mineral brasileiro, através do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), avalia o futuro acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia como uma oportunidade "relevante" para impulsionar a atividade econômica e atrair investimentos. O tratado prevê a eliminação de tarifas de importação na Europa para minerais estratégicos e a redução de custos para a indústria nacional ao zerar tarifas de equipamentos. Apesar dos benefícios, o acordo impõe novos requisitos regulatórios e ambientais, alinhados às tendências de sustentabilidade. O Brasil, que preservou o direito de proteger sua política industrial, busca se consolidar como fornecedor estratégico, atraindo capital para etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
O setor mineral brasileiro enxerga no iminente acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, cujas negociações avançam para uma assinatura ainda em 2023, uma "oportunidade relevante" para o desenvolvimento econômico do país e a expansão da atividade mineradora. Conforme divulgado pela CNN Brasil, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que congrega mais de 300 empresas responsáveis por cerca de 85% da produção mineral nacional, enfatiza que o tratado criará um ambiente propício para a atração de investimentos substanciais. Em um cenário de crescente demanda global por minerais estratégicos, o acordo também assegura a manutenção de instrumentos essenciais de política industrial, permitindo que o Brasil fortaleça sua posição no mercado internacional.
Ao mesmo tempo em que abre portas para o mercado europeu, o pacto estabelece rigorosos requisitos regulatórios e ambientais, demandando adaptação das empresas do setor. O Ibram, no entanto, considera esses desafios como um alinhamento às tendências internacionais de sustentabilidade e rastreabilidade, o que pode, em última instância, elevar a competitividade do Brasil como fornecedor confiável de minerais críticos. O tratado prevê a eliminação total e acelerada das tarifas de importação na Europa para uma vasta gama de minerais exportados pelo Mercosul, incluindo cobalto, níquel, cobre, manganês e terras raras, muitos dos quais são abundantes em regiões como a Amazônia Legal, impulsionando a expectativa de bilhões em investimentos para o Brasil.
A importância do acordo não se restringe apenas às exportações. Ele também promete uma significativa redução de custos para a indústria mineradora nacional, ao zerar as tarifas de importação de máquinas e equipamentos especializados. Produtos como perfuratrizes e tecnologias industriais avançadas, fabricados por países como Suécia e Alemanha, terão suas tarifas eliminadas imediatamente, facilitando o acesso brasileiro a inovações de ponta e contribuindo para a diversificação de fornecedores, reduzindo a dependência de potências como Estados Unidos e China. Esta medida estratégica visa modernizar o parque industrial e otimizar as operações de extração e beneficiamento em todo o território nacional.
Adicionalmente, o Brasil assegurou o direito de adotar restrições à exportação de minerais críticos, se considerar necessário para fomentar a agregação de valor em seu próprio território, um mecanismo de proteção à política industrial nacional. O acordo também garante maior previsibilidade jurídica e regulatória para investimentos europeus no Mercosul, assegurando direitos como o de estabelecimento e tratamento não discriminatório para empresas estrangeiras. Esse desenho estratégico visa atrair capital europeu não apenas para a extração, mas principalmente para o processamento e refino de minerais, etapas de maior valor agregado que podem beneficiar diretamente regiões com grande potencial mineral, alinhando interesses comerciais, industriais e geopolíticos e fortalecendo a cadeia produtiva brasileira.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/setor-mineral-ve-acordo-mercosul-ue-como-oportunidade-relevante/