Brasil foi crucial no desenvolvimento inicial do programa espacial da China, revela CNN Brasil
O artigo revela o papel fundamental do Brasil no início do desenvolvimento do programa espacial chinês na década de 1980. Especialistas do Inpe auxiliaram a China, então isolada e com poucos processos formais de documentação, na engenharia e na aquisição de componentes. Essa parceria resultou no programa de satélites CBERS, que hoje são essenciais para o monitoramento do desmatamento na Amazônia e previsões climáticas, demonstrando a influência brasileira na criação do programa de aplicações espaciais chinês.
Tucupi

Destaque
Uma reportagem da CNN Brasil lança luz sobre a significativa e muitas vezes subestimada contribuição do Brasil para o avanço inicial do programa espacial chinês, que hoje se posiciona como um dos protagonistas na corrida espacial global. Na década de 1980, em um cenário de isolamento geopolítico e desafios na estruturação de sua documentação científica, a China buscou a expertise brasileira. Por determinação do então ministro da Ciência e Tecnologia, Renato Archer, especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) foram enviados à China. Lá, depararam-se com cientistas registrando processos de engenharia em 'caderninhos' pessoais, revelando uma carência de formalização que a assistência brasileira foi crucial para mitigar, conforme relatado por Cesar Celeste Ghizoni, ex-diretor de Engenharia Espacial do Inpe e membro daquela missão pioneira. Esta troca de conhecimentos lançou as bases para uma colaboração duradoura e de profundo impacto bilateral, conforme o que foi divulgado pela CNN Brasil.
Essa parceria estratégica culminou na criação do programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite), um programa conjunto assinado em 1988 que veria o lançamento de seu primeiro satélite bem-sucedido em 1999. Além da transferência de metodologias de engenharia e documentação, o Brasil também desempenhou um papel vital na facilitação da aquisição de componentes para a China, que enfrentava embargos internacionais. Marco Antonio Chamon, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), destaca que o Brasil já possuía uma vasta experiência no desenvolvimento de aplicações com dados espaciais. Um exemplo notório é o programa PRODES, iniciado coincidentemente em 1988, que realiza o monitoramento anual do desmatamento na floresta amazônica. Essa expertise brasileira em monitoramento ambiental influenciou profundamente a China na construção de seu próprio programa de aplicações, sublinhando o impacto regional e ambiental da colaboração. Os satélites CBERS, produto dessa parceria, continuam sendo ferramentas indispensáveis para o combate ao desmatamento na Amazônia e para fornecer previsões meteorológicas de alta qualidade para o agronegócio nacional.
Embora o Brasil tenha sido um catalisador fundamental para o desenvolvimento espacial chinês, o professor Maurício Santoro, especialista nas relações sino-brasileiras, observa que a China conseguiu superar o Brasil em termos de investimentos e sofisticação tecnológica ao longo das décadas seguintes. Santoro ressalta que o programa espacial chinês manteve uma prioridade política e recebeu recursos crescentes, um cenário que não se replicou com a mesma intensidade no Brasil. A reportagem da CNN Brasil também aponta para a diferença na influência política dos cientistas espaciais nos dois países; enquanto na China muitos pesquisadores alcançaram posições de destaque na política, algo considerado 'impensável' no contexto brasileiro. Apesar das trajetórias divergentes, a base estabelecida por essa colaboração histórica permanece como um testemunho da capacidade brasileira de impulsionar avanços científicos e tecnológicos em escala global, com reflexos diretos em questões ambientais de importância nacional, como o monitoramento da Amazônia.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/china-aprendeu-tecnologia-espacial-com-brasil-tudo-anotado-no-caderninho/
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