Especialista avalia Acordo Mercosul-UE como positivo, mas alerta para enfraquecimento brasileiro com ausência de Lula
O Acordo Mercosul-União Europeia foi assinado após 25 anos de negociações. Alberto Pfeifer, da USP, avalia que, embora o acordo seja positivo, a ausência do presidente Lula na cerimônia enfraqueceu a liderança brasileira no Mercosul. O especialista também aponta que o acordo chega em um momento defasado, mas estudos do Ipea indicam que o Brasil será o principal beneficiado, com aumento de investimentos e exportações nos próximos 15 anos. O tratado ainda necessita de ratificação parlamentar para entrar em vigor.
Tucupi

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Após 25 anos de intensas negociações, o Acordo Mercosul-União Europeia foi finalmente assinado neste sábado (17), marcando um passo significativo nas relações comerciais entre os dois blocos. O Brasil, que historicamente se posicionou como um dos principais articuladores e promotores das tratativas, viu-se, contudo, em uma posição de menor destaque na fase final do processo, conforme apontado por Alberto Pfeifer, coordenador do Grupo de Análise de Estratégia Internacional da USP. A expectativa de um tratado que integrará 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de US$ 22 bilhões tem gerado debates sobre seus impactos e a postura brasileira durante a concretização deste marco, configurando uma decisão institucional de grande impacto nacional e regional.
A avaliação de Pfeifer, em matéria veiculada pela CNN Brasil, destaca a "modesta e sem grande preparação" participação do Brasil na conclusão do acordo. O ponto mais crítico, segundo o especialista, foi a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia de assinatura em Assunção. Para Pfeifer, a decisão de Lula de não comparecer, mesmo após convite, resultou em um enfraquecimento da agenda política do Brasil no Mercosul, especialmente em um momento em que a liderança brasileira no bloco é contestada pela Argentina de Javier Milei, que adota uma agenda mais liberal e alinhada aos Estados Unidos, em contraste com a postura mais protecionista e estatista atribuída ao Brasil. Esta lacuna diplomática, na visão do analista, deprecia a capacidade histórica do país de liderar não apenas o Mercosul, mas também a América do Sul como um todo, com repercussões políticas para todos os estados, incluindo o Amazonas.
Apesar das ressalvas políticas e da demora em sua concretização, o Acordo Mercosul-UE é classificado por Pfeifer como intrinsecamente bom, embora chegue em um "momento defasado", caracterizando-o como "um acordo do passado para uma necessidade do presente, mas que demanda respostas para o futuro". A sua implementação gradual prevê uma queda de impostos que pode levar até 15 anos para se consolidar plenamente. De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), o Brasil é projetado como o principal beneficiário do tratado, com estimativas de aumento significativo em investimentos, exportações e importações ao longo da próxima década e meia. Estes ganhos econômicos a nível nacional terão um impacto indireto, mas relevante, sobre a economia de todas as regiões, incluindo o Amazonas, influenciando o fluxo de comércio e a atração de investimentos.
Contudo, para que o acordo entre em vigor, ainda é necessária a ratificação pelos parlamentos nacionais dos países-membros de ambos os blocos, um processo que pode apresentar novos desafios e discussões. A cooperação global, impulsionada por acordos como este, torna-se cada vez mais crucial em um cenário mundial de crescente protecionismo e unilateralismo por parte das grandes economias. A aprovação final e a implementação efetiva deste acordo poderão redefinir as dinâmicas comerciais e econômicas do Brasil no cenário internacional, com efeitos cascata para as economias regionais, incluindo as cadeias produtivas e o mercado de trabalho no estado do Amazonas.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/pfeifer-acordo-mercosul-ue-e-bom-mas-ausencia-de-lula-enfraquece-brasil/
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