Datafolha: Polarização e redes sociais limitam aprovação presidencial a 42% desde 2014

Uma análise do Datafolha revela que a polarização política e a dinâmica de consumo de informações têm limitado o teto de aprovação presidencial a 42% desde 2014. O estudo traça a evolução da popularidade de presidentes brasileiros desde 1987, mostrando como fatores como crises econômicas, escândalos de corrupção e a ascensão das redes sociais moldaram a percepção pública. A pesquisa destaca que, no governo Bolsonaro, a avaliação negativa se acentuou, especialmente após a crise da falta de oxigênio em Manaus, e discute como a polarização atual dificulta o diálogo governamental e a elevação dos índices de popularidade.

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Datafolha: Polarização e redes sociais limitam aprovação presidencial a 42% desde 2014
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Destaque
A polarização política no Brasil, intensificada pelas rápidas mudanças na dinâmica de consumo de informações e pela proliferação das redes sociais, tem imposto um teto à popularidade dos presidentes da República, limitando-a a 42% de aprovação desde 2014. Essa é a principal conclusão de uma análise do Datafolha, instituto fundado em 1983, que acompanha a avaliação dos chefes de Estado desde 1987. A diretora do Datafolha, Luciana Chong, explica que o ambiente de 'nós contra eles', com eleitores cada vez mais convictos a favor ou contra um mandatário, dificulta o alcance de altos índices de popularidade, antes observados entre 2010 e 2013, e que o método consistente das pesquisas ao longo do tempo permite essa comparação histórica, conforme noticiado pela Folha de S.Paulo (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/01/datafolha-polarizacao-achata-popularidade-e-presidentes-tem-teto-de-42-de-aprovacao-desde-2014.shtml). O estudo detalha uma cronologia das taxas de aprovação e rejeição, evidenciando como a popularidade presidencial sempre foi influenciada por fatores como desempenho econômico, escândalos de corrupção e crises de segurança pública. Desde José Sarney, passando por Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e os governos de Lula e Dilma Rousseff, as flutuações foram marcadas por eventos-chave, como a hiperinflação, o Plano Real e os protestos de junho de 2013. O cientista político Creomar de Souza, professor da Fundação Dom Cabral, aponta que a 'cacofonia informacional' das redes sociais acelera a dissipação de ganhos governamentais, afetando o processo eleitoral e o diálogo governamental com eleitores que não são fiéis. Durante o mandato de Jair Bolsonaro, o comportamento negacionista na pandemia de Covid-19 e a série de ataques aos Poderes contribuíram para uma queda significativa na aprovação. A avaliação negativa do então presidente atingiu picos após a divulgação de reuniões ministeriais e, notavelmente, intensificou-se com a grave crise da falta de oxigênio em Manaus, um evento que chocou o país e teve impacto direto na região amazônica. A impopularidade de Bolsonaro seguiu alta com a CPI da Covid e as ameaças às decisões do Supremo Tribunal Federal, só melhorando marginalmente com o avanço da vacinação, mas sem garantir a reeleição. Já no terceiro mandato de Lula, a avaliação inicial estável foi impactada por crises como a do Pix e, mais recentemente, pela megaoperação policial no Rio de Janeiro. A análise do Datafolha sublinha que, na dinâmica política atual, as ações governamentais são frequentemente justificadas pelos apoiadores e supervalorizadas pelos opositores, perpetuando a dificuldade de romper o teto de 42% de aprovação. Este cenário de acentuada polarização representa um desafio contínuo para qualquer presidente em busca de uma base de apoio mais ampla e consolidada, limitando a capacidade de construir consensos e engajar a população de maneira mais uniforme. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/01/datafolha-polarizacao-achata-popularidade-e-presidentes-tem-teto-de-42-de-aprovacao-desde-2014.shtml

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