Brasil se Despede de Luiz Bangbala, Ogan Mais Velho e Guardião da Cultura Afro-Brasileira
A notícia informa sobre o falecimento de Luiz Bangbala, conhecido como ogan mais antigo do Brasil e um dos fundadores do afoxé Filhos de Gandhy, aos 106 anos. Ele morreu no Rio de Janeiro em decorrência de uma infecção renal, após mais de oito décadas dedicadas ao candomblé. A matéria detalha sua vida, sua importância religiosa e cultural, e as homenagens recebidas.
Tucupi

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O Brasil se despede de uma de suas mais emblemáticas figuras religiosas e culturais. Luiz Bangbala, reconhecido como ogan mais antigo do país e um dos fundadores do renomado afoxé Filhos de Gandhy, faleceu aos 106 anos na noite do domingo, 11 de fevereiro. O passamento do mestre, que dedicou mais de oito décadas de sua vida ao candomblé, ocorreu no Rio de Janeiro, onde estava internado desde 31 de janeiro no Hospital Municipal Salgado Filho, vítima de uma infecção nos rins. A notícia de sua partida, que marcou profundamente a comunidade afro-brasileira e a cultura nacional, foi comunicada por sua esposa, Maria Moreira, através das redes sociais, gerando uma onda de comoção e homenagens por todo o país. O corpo do venerado ogan foi sepultado na tarde da terça-feira, 13 de fevereiro, no Cemitério Jardim Mesquita, localizado na Baixada Fluminense, conforme noticiado pelo Jornal de Brasília.
Nascido como Luiz Ângelo da Silva, em 21 de junho de 1919, na capital baiana Salvador, Bangbala teve sua iniciação no Candomblé ainda jovem, na mesma cidade onde a cultura afro-brasileira pulsa com força. Dali, ele partiu para a Baixada Fluminense, especificamente para Belford Roxo, cidade que o acolheu e onde residiu até o fim de seus dias, tornando-se uma referência para a comunidade local e nacional. Sua função como ogan no candomblé, que exercia há mais de 80 anos, era de suma importância: responsável por tocar os atabaques e conduzir o ritmo das cerimônias, ele era o elo sonoro entre o mundo material e espiritual, um verdadeiro guardião das tradições e rituais que definem a fé dos orixás, deixando um legado inestimável para as futuras gerações e para a preservação do patrimônio imaterial do Brasil.
Além de sua dedicação religiosa, Ogan Bangbala foi uma figura central na disseminação e valorização da cultura afro-brasileira. Ele não apenas co-fundou o afoxé Filhos de Gandhy no Rio de Janeiro, uma expressão vibrante da cultura baiana que ganhou as ruas cariocas, mas também registrou dezenas de álbuns de cânticos de candomblé na língua iorubá, preservando oralidades e melodias ancestrais. Seu impacto foi reconhecido em diversas esferas; em 2014, ele recebeu a prestigiada Ordem do Mérito Cultural, concedida pela Presidência da República, honraria que sublinha sua contribuição singular para a nação. A escola de samba Unidos do Cabuçu o homenageou em 2020, e uma exposição dedicada à sua vida e obra foi organizada pelo Centro Cultural Correios em 2024, evidenciando a amplitude de seu reconhecimento e a reverência que sua figura inspirava, consolidando-o como um verdadeiro ícone cultural.
A profunda perda foi ecoada por figuras importantes do movimento negro e religioso. O babalorixá Ivanir dos Santos o descreveu como “o grande griot das nossas tradições”, termo que na cultura africana designa os guardiões das memórias e histórias dos povos. Santos destacou que, embora Bangbala tenha partido, ele “vai sempre continuar presente aos nossos afazeres, no dia-a-dia dessas práticas. Agora ele também é um ancestral nosso. Que continua nos iluminando e sendo presente nas nossas ações dentro das casas de candomblé, dos blocos afros, dentro dessa cultura tão vasta que marca a identidade do povo afro-brasileiro”. Essa declaração ressalta não apenas a importância individual de Bangbala, mas também o seu papel eterno como fonte de inspiração e guia para a comunidade, reforçando a imortalidade de seu espírito e de sua obra para a cultura e fé afro-brasileira, conforme relatado pelo Jornal de Brasília.
Fonte: https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/brasil/morre-aos-106-anos-luiz-bangbala-ogan-mais-antigo-do-brasil/
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