Boulos detona 'Bolsonarismo Envernizado', projeta 2026 e detalha agenda federal de trabalhadores e impostos, diz Estadão
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, delineou a estratégia política do governo para as eleições de 2026, focando em reacender a base social de esquerda e atrair trabalhadores que flertam com o bolsonarismo. Em entrevista ao Estadão, Boulos criticou o 'bolsonarismo envernizado' de figuras como Tarcísio de Freitas, afirmando que o verdadeiro poder de voto na direita ainda reside em Bolsonaro. Ele também detalhou as pautas prioritárias do governo, como a defesa da soberania nacional, justiça tributária (com taxação de super-ricos e isenção de IR para rendas mais baixas) e, principalmente, a defesa dos trabalhadores, propondo o fim da escala 6x1, redução da jornada para 40 horas e regulamentação dos direitos de motoristas e entregadores de aplicativos, além de refletir sobre o orçamento impositivo e a necessidade de diálogo com novos perfis de trabalhadores e a comunidade evangélica.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, concedeu entrevista ao Estadão, na qual detalhou a estratégia política do governo federal para o cenário eleitoral de 2026 e as pautas prioritárias da gestão. Há três meses no cargo, Boulos se tornou uma voz proeminente no núcleo governamental, com a missão de revitalizar a base social de esquerda e atrair segmentos de trabalhadores que atualmente se inclinam para o bolsonarismo, como os empregados de plataformas de aplicativos e pequenos empreendedores. A análise de Boulos aponta para a importância de comunicar as ações governamentais tanto nas ruas quanto nas redes sociais, posicionando-o como um dos principais articuladores do Palácio do Planalto contra a oposição bolsonarista.
Durante a entrevista, o ministro não poupou críticas ao que chamou de 'bolsonarismo envernizado', referindo-se a figuras como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Boulos enfatizou que, embora o mercado financeiro (a 'Faria Lima') possa preferir uma versão mais 'lapidada' do bolsonarismo, o poder de voto da direita ainda está concentrado no ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele também questionou a legitimidade de tratar o país como uma empresa privada, em alusão a declarações da esposa de Tarcísio de Freitas, Cristiane de Freitas, que sugeriu que o Brasil precisava de um 'novo CEO'. Essa visão, segundo Boulos, demonstra uma 'cabeça tacanha' e a falta de um projeto nacional e popular, tratando a população como meros empregados. As discussões levantadas por Boulos, embora de âmbito nacional, possuem relevância direta, pois refletem sobre o futuro da governança federal e o impacto de políticas nacionais nas realidades regionais.
Entre os temas que, segundo Boulos, dominarão a eleição de 2026, destacam-se a soberania nacional, a justiça tributária e a defesa dos trabalhadores. O ministro ressaltou a iniciativa governamental de taxar super-ricos e zerar o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, propondo um debate sobre a posição dos adversários nessas questões. No âmbito trabalhista, o governo pretende aprovar o fim da escala 6x1, a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem diminuição de salário, e a garantia de direitos para os trabalhadores de aplicativos. Para estes últimos, a proposta inclui a definição de um limite de 30% na taxa de retenção das empresas, um ganho mínimo por entrega e maior transparência nos algoritmos. Essas propostas de decisões federais, se concretizadas, terão um impacto substancial no mercado de trabalho e na economia, influenciando diretamente a vida de milhares de trabalhadores e empreendedores locais.
Boulos também abordou a questão do orçamento impositivo, expressando preocupação com o volume de R$ 61 bilhões em emendas aprovadas no Orçamento, que, em sua visão, 'captura' o orçamento pelo Congresso e faz o país 'perder a noção de projeto'. O ministro defendeu sua trajetória no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), refutando preconceitos e explicando a atuação do movimento na identificação de imóveis irregulares para moradia popular. Ao final, Boulos reiterou seu compromisso com as missões no governo e a construção do palanque em São Paulo, mas se disse pronto para debater com qualquer adversário, citando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e questionando a autoridade moral de figuras da direita em temas como segurança pública, como reportado pelo Estadão (https://www.estadao.com.br/politica/faria-lima-adora-um-bolsonarismo-envernizado-mas-na-direita-quem-tem-voto-e-bolsonaro-diz-boulos/).
Fonte: https://www.estadao.com.br/politica/faria-lima-adora-um-bolsonarismo-envernizado-mas-na-direita-quem-tem-voto-e-bolsonaro-diz-boulos/