EUA esvaziam agenda do G20, desmantelando herança brasileira e priorizando energia fóssil

Os Estados Unidos, sob a presidência rotativa do G20, implementaram uma mudança radical na agenda do grupo, reduzindo os grupos de trabalho de 15 (sob a liderança brasileira) para apenas três: comércio, inovação e energia abundante. Essa decisão desmantela a herança da presidência brasileira, que priorizava sustentabilidade ambiental, climática, transição energética e uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. A postura americana, que também impediu a participação da África do Sul em uma reunião de sherpas, é vista por Brasília como um esvaziamento dos fóruns multilaterais e um potencial enfraquecimento da relevância do G20.

Tucupi

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EUA esvaziam agenda do G20, desmantelando herança brasileira e priorizando energia fóssil
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Os Estados Unidos assumiram a presidência rotativa do G20, sucedendo o Brasil, com uma drástica redefinição das prioridades do grupo das maiores economias mundiais. A administração americana reduziu os grupos de trabalho para apenas três temas centrais — comércio, inovação e energia abundante —, sinalizando um afastamento substancial da agenda mais abrangente e progressista que havia sido estabelecida por países emergentes nos últimos ciclos, incluindo a presidência brasileira em 2024. Essa guinada representa um desmonte da "herança" deixada por quatro anos consecutivos de liderança de nações em desenvolvimento, que haviam focado em questões como sustentabilidade ambiental e climática, transição energética, desenvolvimento global, economia digital e empoderamento feminino, temas que, segundo relatos da CNN Brasil, foram mantidos pela futura presidência sul-africana em 2025. Sob a liderança brasileira, o G20 contava com 15 grupos de trabalho e priorizava iniciativas como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que conquistou adesão internacional significativa. A nova abordagem dos Estados Unidos, concentrada na promoção da oferta de petróleo e no comércio em um contexto de medidas protecionistas, gera preocupações sobre a capacidade do grupo de alcançar consensos e de discutir respostas coordenadas para desafios globais complexos. Diplomatas brasileiros, apesar da discordância com os rumos atuais, avaliam que a postura norte-americana não surpreende, dada a tendência de esvaziamento de fóruns multilaterais observada em administrações anteriores. A primeira reunião de "sherpas" (emissários pessoais dos líderes do G20), realizada em Washington no mês passado, já foi marcada por controvérsia: a África do Sul foi impedida de participar das conversas, uma decisão que gerou protestos de países como Brasil, China, Austrália e Canadá. Essa exclusão e a profunda alteração na agenda levam Brasília a vislumbrar 2026 como um "ocaso" do G20, um ano em que o grupo poderá perder sua relevância e capacidade de influência. Com isso, os olhos da diplomacia brasileira já se voltam para a presidência do G20 em 2027, que será exercida pelo Reino Unido, na expectativa de que os britânicos possam reverter a tendência atual e reconstruir a agenda global do grupo, conforme reportado pela CNN Brasil (https://www.cnnbrasil.com.br/politica/trump-esvazia-g20-e-desmonta-heranca-de-lula/).

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