A sombra de Trump e a indiferença dos EUA ameaçam o acordo Mercosul-UE

O artigo analisa a profunda influência da política externa de Donald Trump – marcada pelo unilateralismo, ataques ao multilateralismo e desdém pela Europa e BRICS – sobre o futuro do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A comentarista Eliane Cantanhede, do Estadão, explora como o complexo cenário geopolítico e as ações de Trump podem impactar a concretização de um dos maiores acordos comerciais do mundo, que possui significativas implicações econômicas e políticas para o Brasil e suas regiões, em meio a desafios internos de aprovação e uma crescente incerteza global.

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A sombra de Trump e a indiferença dos EUA ameaçam o acordo Mercosul-UE
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A política externa de Donald Trump, caracterizada por um crescente unilateralismo e um desafio aberto às estruturas multilaterais, lança uma sombra de incerteza sobre o futuro do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Em uma análise aprofundada publicada no Estadão, a comentarista Eliane Cantanhede detalha como a postura do ex-presidente americano, que atacou os BRICS e demonstrou desdém pela Europa, pode levar à sua indiferença em relação a um dos maiores pactos econômicos do mundo. Este cenário geopolítico complexo, que já viu ações como a incursão na Venezuela e a busca pela aquisição da Groenlândia, sugere que Trump, se reeleito, pode desestabilizar ainda mais as alianças e acordos globais, afetando diretamente os interesses brasileiros e as economias regionais. O acordo Mercosul-UE, fruto de 25 anos de negociações, representa a união de 720 milhões de pessoas e uma economia de US$ 22 trilhões, prometendo zerar tarifas industriais em uma década e consolidar importantes alianças políticas. No entanto, a materialização desse pacto enfrenta obstáculos não apenas nas resistências de setores sensíveis, como a agricultura francesa, e na necessidade de aprovação dos parlamentos europeus, mas também na imprevisibilidade da política global. A análise de Cantanhede aponta que a Europa, que já lida com conflitos como a guerra na Ucrânia e as investidas de Trump na Groenlândia, pode ter sua atenção e energia desviadas, tornando o caminho para a ratificação do acordo ainda mais árduo, sob a ameaça de um ambiente internacional volátil. Para o Brasil, as implicações são substanciais, com decisões federais que terão impacto regional. A aprovação do acordo no Congresso Nacional será um teste decisivo para a política externa e econômica do país, num ambiente político doméstico já tensionado entre Executivo e Legislativo. A decisão de deputados e senadores brasileiros não apenas definirá o futuro das relações comerciais com a Europa, mas também repercutirá no crescimento econômico, na geração de empregos, na competitividade da agricultura e indústria, e no avanço tecnológico em todas as regiões. Regiões como o Amazonas, que possuem um polo industrial estratégico e uma economia diversificada, seriam diretamente impactadas pelas novas condições de comércio e investimento que o acordo traria, tornando essa decisão federal de crucial importância regional e nacional. A autora ressalta que, pairando sobre todas as negociações e decisões, está o "fantasma de Donald Trump", que ataca o multilateralismo e os princípios da paz e das regras internacionais que os próprios EUA ajudaram a construir. Essa instabilidade global, somada às complexidades internas e regionais, torna impossível prever o destino final do acordo Mercosul-UE, um pacto de grande envergadura geopolítica. A capacidade do Brasil de navegar por este cenário incerto, garantindo seus interesses nacionais e impulsionando o desenvolvimento regional, dependerá de uma estratégia diplomática robusta e de um alinhamento político que possa transcender as divisões internas e as pressões externas, assegurando a defesa de sua soberania e a promoção de sua agenda no concerto das nações. (Fonte: Estadão, por Eliane Cantanhede)

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