Caso Master pauta Ano Novo do Supremo com código de ética e ataques eleitorais
A investigação sobre fraudes do Banco Master expôs condutas questionáveis de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), impulsionando a discussão sobre a aprovação de um código de ética para a Corte. Além disso, o caso deve se tornar um tema central na exploração eleitoral de 2026, com partidos de direita planejando focar na remoção de ministros, alterando o roteiro previsto para o Judiciário nos próximos anos.
Tucupi

Destaque
A recente investigação envolvendo fraudes do Banco Master não apenas agitou o cenário financeiro e político brasileiro, mas também colocou em xeque a conduta de membros do Supremo Tribunal Federal (STF). A suspeita sobre a isenção da Corte na condução do caso, conforme análise da colunista Carolina Brígido no Estadão, está moldando o horizonte do Judiciário para os próximos anos, com implicações que se estendem até o pleito de 2026. A repercussão tem sido tão significativa que se prevê um movimento inevitável em direção à institucionalização de regras de conduta mais rigorosas para os magistrados, marcando uma fase de maior escrutínio sobre a mais alta instância judicial do país.
Um dos resultados mais imediatos e esperados é a pavimentação da votação de um código de ética para os ministros do STF. A pressão exercida pela opinião pública tornou-se um catalisador fundamental para que se estabeleçam parâmetros claros de comportamento para os integrantes do mais alto tribunal do país. Ministros como Edson Fachin já se manifestam em defesa da ideia, buscando conferir maior transparência a uma Corte que, atualmente, sequer divulga a agenda completa de compromissos públicos de seus membros. A adoção de regras semelhantes às do Código de Ética da Magistratura, proposto pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2008 – ao qual o STF historicamente declarou não se submeter –, implicaria a proibição de receber benefícios ou vantagens de entes públicos ou privados, eliminando práticas como o uso de jatinhos particulares, e exigiria a divulgação dos rendimentos de palestras e eventos, garantindo a legitimidade de suas receitas e afastando qualquer dúvida razoável sobre a origem de seus proventos.
Paralelamente à questão ética interna, o caso Master projeta-se como um elemento de intensa exploração eleitoral para 2026. Diferentemente de 2018, quando a pauta era a indicação de ministros alinhados ideologicamente, a direita agora planeja focar na remoção de membros do STF, transformando o impeachment de ministros em uma bandeira eleitoral antes mesmo do início oficial das campanhas. As polêmicas surgidas com o caso são vistas como um microcosmo da dificuldade de alguns ministros em dissociar interesses públicos de privados, como exemplificado pelas viagens de Dias Toffoli em voos particulares com advogados da causa, ou o contrato milionário assinado pela esposa de Alexandre de Moraes com o banco investigado. Tais episódios, somados a medidas processuais atípicas adotadas por Toffoli, como a inversão da ordem de acareações, têm elevado a Corte ao centro das atenções, tornando impossível seu recolhimento em ano eleitoral, um roteiro que antes parecia traçado após o desfecho de outros julgamentos de grande repercussão nacional.
Fonte: https://www.estadao.com.br/politica/carolina-brigido/caso-master-pauta-ano-novo-do-supremo-com-codigo-de-etica-e-ataques-eleitorais/
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